Team Estimation Game – Porque usar!

Olá galera, primeiramente peço desculpas por não ter escrito já há algum tempo, devido a correria nossa de cada dia, mas, aqui estou eu novamente para falar de uma técnica de estimativa de software que aprendi ha algum tempo em um curso de Scrum que fiz em São Paulo. Algum tempo atrás falei sobre Estimativa em projetos ágeis, hoje irei abordar outra técnica.

Estimativa: Seria muito bom se não precisássemos fazê-la, mas, muitas vezes é necessário fazer. Em um sistema de desenvolvimento maduro ágil com lean/kanban, onde o valor prioritário está fluindo a uma taxa aceitável, e num contexto sem obrigação de conhecer a data de entrega as estimativas fornecem pouco ou nenhum valor. Portanto, não cegamente, você deve estimar suas características/histórias. E se você avaliar a necessidade de estimativas e determinar que eles valham a pena, você precisa determinar o quanto de valor que elas oferecem, para que você possa ter certeza que o esforço despendido estimativa é compatível com esse valor. Uma das maneiras mais conhecidas para estimar as histórias de usuário é o Planning Poker, primeiramente descrito por Mike Cohn. Eu usei o planning poker de forma muito eficaz, mas eu vi uma abordagem alternativa, confesso que gostei bastate: o Team Estimation Game,  originalmente criado por Steve Bockman e descrito por NetObjectives.

Em poucas palavras: Levamos para o time um conjunto de cartões com histórias previamente discutidas na reunião de Grooming. Selecionamos uma atividade de tamanho considerado médio pela equipe, mas pode ser uma história aleatória, que servirá apenas de base para compararmos com as demais. Após isto feito, começamos a ordenar os cartões de forma simples, comparando com o nosso dito “médio“, colocando a esquerda os considerados menores e a direita os maiores.

Demonstração visual dos cards

Ordenação dos cards

Qualquer pessoa do time pode mover um cartão de lugar, desde que explique os motivos que o fazem acreditar que aquele cartão deve ser movido. Caso um a histórica de um cartão tenha tamanho semelhante a outra, ou seja, atividades com peso igual, devem ser colocados alinhados. Feito isso, atribuímos a pontuação mínima de 2 pontos (pode ser que uma seja evidenciada menor que esta) para a menor história da esquerda. Simples, agora temos que comprar as demais, que já ordenamos em ordem crescente, sempre com a anterior, em termos de complexidade, utilizando Fibonacci para escalar os itens. A pergunta a se fazer ao time é: “Em relação a história anterior, quantas vezes esta história é maior?“. Em poucos minutos temos nossos itens de Backlog estimados em pontos!!

Um dos pontos fortes deste jogo é a ênfase no dimensionamento relativo, que torna mais fácil e óbvio para comparar todas as histórias que você está estimando. Eu também gosto da natureza tátil dos cartões de papel e do envolvimento físico de pessoas que se deslocam e interagindo contra sentado ainda como fariam no poker planejamento. Essa técnica de estimativa dá ênfase a um dos princípios do Manifesto Ágil: Indivíduos e interação entre eles mais que processos e ferramentas. Neste processo a interação entre as pessoas que compõe o time é extremamente vital para o sucesso da técnica de estimativa, já que a visão dos membros do time e a discussão saudável é que enriquece o processo. Há muitas variações desta técnica de estimativa, algumas adaptações que fiz são para tornar mais ágil e rápido o jogo, para não tornar o jogo maçante e com o passar do tempo perder o seu valor.

Comparação entre o Team Game Estimation e o Planning Poker.

No Planning Poker, a discussão é sobre um item de backlog específico, tenta-se levar em consideração os itens anteriormente discutidos e estimados. Algo que chama muito a atenção é que não é incomum o time discordar muito sobre o tamanho de uma história e perder bastante tempo tentando achar um meio termo para pontuar o item. Essa discussão no Team Estimation também ocorre, mas quando comparamos visualmente um item ao outro, retiramos a dificuldade que as vezes existe de uma pessoa do time pontuar uma atividade. Já vi discussões infinitas sobre um item e as vezes sem chegar ao consenso, tendo que voltar a discutir novamente posteriormente. Calma, itens grandes sempre serão grandes demais para realizar dentro de uma Sprint, porém, ficam evidenciados de forma visual, sendo já removido para uma nova sessão de Grooming e para voltar à uma nova sessão de estimativa. Outro ponto a ressaltar é a não obrigação que dar o ponto, já que estes são atribuídos também conforme a anterior, a única pergunta que é necessária responder é “Quanto maior esta história é em relação a anterior?”. Mais um ponto a ressaltar é que não há superfaturamento das historias, não há aquela pressão de pontuar e nem a supressão dos pontos menores em detrimento de algum membro do time que, por vários motivos, não concorda com o tamanho. Também não há aquelas estimativas “para cima”, por medo ou para valorizar o trabalho que será feito, algo comum quando se considera a produtividade por pontos entregues(um mal para a agilidade, diga-se de passagem).

Resumindo: Eu hoje prefiro o Team Game Estimation ao invés do Planning Poker, acredito ser mais dinâmico e até mais divertido, mas esta é a minha opinião e você o que pensa?

Fica a dica:

http://agileadvocate.blogspot.com.br/2009/05/team-estimation-game.html

http://www.agilecoach.net/coach-tools/estimation-games/

http://manifestoagil.com.br/

http://www.wiziq.com/tutorial/28405-Agile-Estimation-by-Mike-Cohn

Livros:

http://www.amazon.com/Agile-Estimating-Planning-Mike-Cohn/dp/0131479415

http://www.amazon.com/User-Stories-Applied-Software-Development/dp/0321205685/

http://www.amazon.com/Software-Estimation-Demystifying-Practices-Microsoft/dp/0735605351

Boa leitura e até o próximo post!!

4 pensamentos sobre “Team Estimation Game – Porque usar!

  1. Acabei de usar o Team Estimation Game com a minha equipe, e eles curtiram bastante! Já uso o planning poker há mais de 2 anos, e uma grande diferença percebida é que, até o time chegar a um consenso, as estórias são comparadas entre si inúmeras vezes, algo que não ocorria conosco no planning poker. A interação e participação de todos também foi bem maior.

    E, por fim, sempre é bom variar um pouco. Desperta o interesse da equipe novamente.

    • Já passei por sessões de estimativa muito chatas com Planning Poker, confesso que pode ser porque nosso time não sabia mesmo estimar com esse jogo, ou não, mas confesso que depois que adotei o Team Estimation Game as estimativas ficaram mais divertidas e mais certeiras, mesmo que ainda sejam estimativas. Senti também que a pressão em determinar o esforço de A ou B acabou e também as discussões eternas sobre o real tamanho, assim como a confiança no que é estimado melhorou muito.

    • De fato não. Se o time não quiser ser transparente não será, a questão é como identificar o superfaturamento e principalmente suas causas. Atuar para resolver os possíveis impedimentos que levam o time a superfaturar.
      Usando o Game, e considerando que o menor item é de, digamos 2 pontos, os outros são estimados comparando a complexidade a partir do primeiro. Concorda que o time pode dizer que o próximo é 5 ao invés de 3 por precaução?

      Fica a reflexão a respeito…

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