Gerando alto valor agregado ao software

Muito tem se falado sobre gerar valor agregado, que o Backlog do produto tem que ser ordenado de forma a enfatizar os itens que tenham mais valor. Costumo ser muito questionado sobre o que de fato significa gerar valor agregado. Bem como não poderia ser diferente, tudo o que é executado dentro de uma Sprint deveria por definição ter seu valor, já que tudo tem um custo para ser realizado. Quando falamos em valor agregado, temos que pensar em três fatores: Primeiro qual o custo efetivo daquela porção de software, ou seja, quanto custará para construir aquele pedaço do sistema. Segundo, qual será o retorno que este incremento de software trará para o meu Negócio. Terceiro qual o tempo que levará até que eu tenha retorno sobre investimento que foi desprendido para criar o incremento.

Gráfico de valor agregado

Bom, você agora deve estar imaginando que tudo gera em torno do retorno financeiro que o software trará, correto?
Bem, valor agregado não é apenas dinheiro em caixa, e talvez seja ai que esteja a grande confusão, valor agregado pode ser algo que para você talvez não tenha tanto valor ou importância dentro do contexto do software, mas para o cliente, será algo que poderá talvez, mudar a vida dele. Imagine o seguinte cenário: Seu cliente tem uma fila enorme de pessoas para atender e em grande maioria, os atendimentos que ele realiza são solicitações das quais não se resolveria facilmente se o serviço solicitado estivesse disponível em um site, e pudesse ser acessado da casa do cliente dele, sem o transtorno da locomoção de sua residência até o estabelecimento do seu cliente. Você então desenvolve este site, no qual o cliente disponibiliza os serviços mais realizados em seu estabelecimento e cobra o mesmo valor que ele cobraria se fossem presenciais, ou até mais baratos, já que não há mais necessidade de pessoas para atender, nem uma grande estrutura para realizar tais atendimentos.

Pelo fato que seu cliente cobra o mesmo valor, ou mais barato, você deve imaginar que, ele está perdendo dinheiro gastando com desenvolvimento de algo que não irá trazer lucro para ele. Vamos ao segundo cenário então: Seu cliente por uma necessidade do Negócio dele necessita ao cadastrar os clientes de sua empresa, guardar cópias dos documentos pessoais destes clientes. Isso tem causado um grande acumulo de papel e ele necessita de um espaço físico muito grande, além de todos os transtornos como deterioração do papel com o tempo, fungos e outros inconvenientes. Ele te contrata para criar um GED para ele onde ele irá indexar todos estes documentos e quando necessário consultar ou imprimir ele fará isso a partir do sistema. Neste momento você pensa que, um GED não trará dinheiro ao Negócio do seu cliente.

Vamos agora analisar os cenários começando pelo primeiro: Pois bem, quando um sistema, mesmo que simples, facilita a vida do cliente que está nesta situação, não necessariamente ele tem retorno financeiro, porém do ponto de vista do cliente dele, sua vida foi facilitada devido ao simples fato que ele não mais necessitará deslocar-se, sem contar as horas no transito e o tempo que seria necessário para esse deslocamento. Neste caso o valor agregado não está no dinheiro que ele irá fazer o cliente receber em troca da sistematização de algum processo, mas sim, na satisfação que os clientes dele terão por não necessitar mais da presença física no estabelecimento.
No segundo cenário o valor que se agregou ao Negócio é a agilidade no processo de armazenamento e recuperação dos dados do cliente, sem contar na fidelidade dos dados, e dispensa de papel e espaço físico para guardar as cópias.

Há um ditado que diz que cliente feliz é igual a dinheiro no caixa, pois bem, nestes dois casos há clientes satisfeitos e como resultado, um melhor relacionamento entre ambas as partes e é bem possível que a relação entre eles traga mais negócios e oportunidades. Citei anteriormente que deve levar-se em consideração o tempo para o retorno (Time to Market), pois bem, imaginemos que temos duas porções do sistema que retornam o mesmo valor agregado, porém com esforços distintos para realizar a construção dentro do software. Neste exemplo fica evidenciado que devemos optar pela opção que nos trará retorno antes, salvo se, por algum motivo alheio ao ROI exija que priorizemos uma delas. Por exemplo, temos duas features que tem o mesmo peso e ROI dentro do software, sendo uma de mais rápida construção que a outra, porém justamente a que será mais demorada é para o Natal já a outra para o Ano Novo. A decisão é simples, primeiramente deve-se gastar o esforço com a feature do Natal, já que depois que o Natal passar, não faz mais sentido desenvolvê-la.

Repare que, não é apenas o lado financeiro que deve ser levado em consideração quando um Backlog for ordenado e/ou reordenado. Devem-se levar em conta as oportunidades e necessidades do Negócio, a fim de decidir qual porção do software será desenvolvida em um determinado momento.

Podemos resumir que, diferentemente de projetos tradicionais, onde o valor agregado é calculado através de fórmulas que levam em conta o custo, tempo e acúmulo gerado, em um projeto de software utilizando métodos ágeis, quando falamos em gerar valor agregado, algo mais abrangente, como não poderia ser diferente, a visão é mais holística, levamos em consideração a visão estratégia do Negócio e o escopo variável nos ajuda a manter o equilíbrio entre custo e benefício, seja financeiro ou de outra natureza.

3 pensamentos sobre “Gerando alto valor agregado ao software

  1. Muito bom, é interessante ver que a maioria dos projetos por ai tratam o mundo como algo estático, mas o agile não, o agile diz: “é melhor corresponder as mudanças”, e como foi demonstrado ai pelo artigo acima isso se reflete até mesmo na criação de uma ideia, no planejamento, e por final no valor agregado.

    Parabéns, sempre que puder vou dar uma acompanhada nos seus posts.

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