Pessoas não são ferramentas! Não compare pessoas a enxadas.

Parece absurdo o título do post, mas infelizmente na Gestão dos dias de hoje existem gestores que acreditam sim que pessoas são recursos, ferramentas e que podem ser comparadas a, por exemplo, uma enxada.

ENXADAVamos aqui fazer uma analogia barata: Uma enxada quando nova necessita de pouca coisa para executar o seu trabalho, se formos puristas veremos que ela necessita apenas de um bom fio de corte que se consegue usando uma lima de preferência nova. Enxadas tem funções específicas, como carpir quintais, como dizíamos em Pirajuí, minha cidade natal. Sempre que o corte de uma enxada estava ruim,  era necessário pegar uma lima e voltar ao início, refazer o fio até que ele ficasse pronto para continuar o trabalho exatamente de onde parou e com a mesma eficiência (levando em conta que o trabalhador não se cansasse né).

Uma enxada nem sempre funciona como deveria, às vezes é necessário trocar o cabo, pois este não aguenta e o que é feito senão trocar o cabo, ora, se uma equipe não está bem, troca-se o líder e pronto, tudo está resolvido, concordam? Eu não, mas tem gente que irá concordar.

Outro ponto interessante desta analogia é o fato que todas as enxadas são iguais e fazem o que deveriam fazer. Para alguns gestores pessoas são assim, contratadas para fazer o que recebem para fazer e só isso, pois quem nasceu para ser enxada nunca chegará a machado e por ai vai. Mal gestores esquecem que a empresa e não eles investem tempo em treinamento entre outras coisas para tronar o profissional apto para trabalhar.

E quando uma enxada fica velha, basta trocá-la por uma nova, amolar até que o fio de corte fique a contento e pronto! Temos uma enxada novinha pronta para ser usada e continuar exatamente de onde a outra parou, sem maiores prejuízos.

Infelizmente existem gestores que veem pessoas como esse tipo de ferramenta, que não é capaz de crescer, evoluir e melhorar como pessoa e profissional, e por pensarem assim não investem nas pessoas, pois quem investe algo em uma enxada velha não é mesmo? Gestores deste tipo pensam ser autossuficientes e extremamente necessários nos processos da empresa e perdem a oportunidade de fazer com que seus liderados cresçam e desenvolvam-se, levando ao crescimento como consequência a própria empresa.

Uma vez postei no Facebook que Gestão de TI é balela, o que existe, ou deveria existir é uma boa Gestão das Pessoas que fazem a TI e recebi algumas críticas por ter postado isso. Agora pensemos bem, existe esse Recurso chamado Humano? Ou Gestão de pessoas é mais que trocar pessoas/enxadas velhas por novas. É entender os estágios de formações de times que performam, ou é simplesmente culpar A ou B pelo fracasso de determinado projeto, e dispensá-lo como se fosse uma enxada gasta e sem utilidade.

Perceba que quando formamos times ganhamos a oportunidade de crescer com eles e conhecer os seres humanos que vem de brinde quando incorporamos o profissional a nossa empresa. gestão de pessoas

Não gosto mesmo do termo Recursos Humanos, acho arcaico, assim como o termo gerente para mim perdeu todo o sentido quando me vi em projetos ágeis onde pessoas comprometidas faziam que era necessário para entregar o projeto ao cliente e vê-lo satisfeito. Não acredito em super-herói, portanto não acredito na figura de um ser que sabe tudo, que tem todas as respostas que manda e os outros obedecem  não porque sou insubordinado, mas sim porque sei o valor da opinião alheia, dos diferentes pontos de vista e que discussões sadias levam ao sucesso, sei o valor com companheirismo e entendo como um time pode performar, não porque alguém está com um chicote açoitando, mas sim pelo senso comum e comprometimento com o resultado.

Pessoas não são de forma alguma recursos, são patrimônio e tenho pena de quem pensa diferente disso.

4 pensamentos sobre “Pessoas não são ferramentas! Não compare pessoas a enxadas.

  1. Não dá para dizer algo genial como “Gestão de TI é balela, o que existe, ou deveria existir é uma boa Gestão das Pessoas que fazem a TI” e sair ileso. Muito bom Miguel.

    • Obrigado pelo comentário Cláudio. Assim como Gestão de TI tem a Tal “Motivação de Recursos”, não imagino uma mesa, uma cadeira ou mesmo uma enxada sendo motivada. Mas é ponto de vista e respeito, embora não quero trabalhar com uma pessoa que pensa assim.

  2. Pingback: Estimativa não é aferição: Cuidado com com as Mães Dináh do Software. | Blog do Miguel Carlos

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