Estimativa não é aferição: Cuidado com as Mães Dináh do Software.

Para começar nossa conversa de hoje, vamos primeiramente discutir algo simples: o significado da palavra ESTIMATIVA.

Régua

Estimativa: s.f. Cálculo aproximado, avaliação; conjectura (Dicionário Aurélio).

Pois bem, estamos falando em cálculo aproximado, avaliação, conjectura, isso mesmo conjectura. Logo não é o mesmo que aferição, como é possível medir algo que não conhecemos por completo. A pergunta então é: Por que tantas pessoas se apegam nas estimativas quando estão em fase de projeto?

Eu diria que há vários porquês para esta pergunta, um deles é que o ser humano precisa de algo concreto, pelo menos em teoria para avalizar a construção de qualquer coisa, desde casa, por que não, até coisas mais complexas. Outro motivo plausível é que precisamos formalizar contratos, e por que não seguros. Isso mesmo, seguro, muitas pessoas vendem seguro, principalmente quando o assunto é prazo de desenvolvimento de software. É simples, eu te contrato para desenvolver uma solução que eu não quero desenvolver, pois tenho consciência que não é possível no prazo que eu estou te contratando mas se você não me entregar quem falhou foi você e não eu.

Outro motivo é porque estamos acostumados com as convenções formais de qualquer relação de trabalho onde de antemão tenho a necessidade de saber quanto tempo irá levar para fazer determinada tarefa senão sou incapaz de julgar se o resultado foi considerado aceitável, já que a única coisa que me interessa é o prazo. Escopo é fixo e qualidade não é mensurável neste cenário, ou seja, a borracha do processo chama-se Prazo!

Ken Schwaber, fundador da Scrum.org, fala em seu livro “Agile Project Management with Scrum” sobre as diferenças entre viajar entre duas cidades de duas formas distintas: Avião e Automóvel. Neste momento você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com estimativa, logo aviso: Tudo!

spyker_f16

Na visão do Ken viajar de avião entre outras coisas é mais rápido, porém a grande “vantagem” é que se conhece “tudo” sobre a viagem, desde o clima, o trajeto, a velocidade de cruzeiro. Estima-se que um voo inicia exatamente no horário e termina aterrissando em seu destino no horário planejado.

Viajar de carro já não é tão minuciosamente planejado assim. Imagine quantas variáveis não são conhecidas de antemão, de repente você, dependendo do obstáculo que encontrar pode decidir-se por ir pela estrada A ou B. Se estiver chovendo tem a opção de parar em um posto para aguardar a chuva parar. Caso você encontre uma bela paisagem teria a oportunidade de vislumbrar a vista e aproveitar o trecho também para relaxar. Apenas uma coisa é certa neste tipo de viagem: a previsão de chegada irá mudar, seja em minutos, horas ou dias, tudo dependerá das condições encontradas e quanto mais longo for o trecho da viagem, maior será a chance dela mudar, e o motivo da mudança só será conhecido muito próximo dela acontecer, ou quando ela acontecer.

Neste momento é que alerto para a necessidade de sempre estarmos aferindo o que passou durante o projeto, claro que com o passar do tempo o time irá “azeitar”, conhecerá mais do Negócio, da linguagem, frameworks entre outras coisas. Porém existem sempre alguma variáveis que não podemos antever ou mesmo prever.

Conhecendo tudo isso que foi dito acima, como pode alguém julgar-se capaz de medir o trabalho a fazer antes de conhecer suas variáveis, seu caminho e tudo o que cerca o Negócio e reflete diretamente no projeto. Ora, não é porque já viajei de carro de Campo Grande/MS até São Luís/MA que posso afirmar com toda a certeza que numa nova viagem neste trecho, irei fazer exatamente igual a viagem anterior. Lembro que minha estimativa era chegar em 3 dias em São Luís, porém fiz em 3 dia e meio, pois tivemos um contratempo no primeiro dia e tivemos que adaptar tudo dali em diante.

Se até mesmo a Nasa, como já falei em outro Post no passado sabe que um projeto pode variar, por que eu, um simples desenvolvedor não vou usar do conhecimento que tudo muda o tempo todo no mundo para melhorar as minhas estimativas.

Responder a mudança (Manifesto Ágil) é sem dúvida melhor que planejar e seguir um plano, não que planejar seja desprazível não é nunca! Mas é necessário sempre saber quando algo mudou e o que é necessário fazer para adaptar-se de acordo com a mudança. Se alguma dessas mães Dináh do software quiser contestar fique a vontade, o debate é livre.

Outro ponto que deixo claro, é que, avaliar o sucesso de um projeto pelo prazo de entrega é simplesmente falta de habilidade e conhecimento e soa para mim como leviano. Lembre-se que pessoas não são enxadas, nem mesmo máquinas ou robôs.

2 pensamentos sobre “Estimativa não é aferição: Cuidado com as Mães Dináh do Software.

  1. excelente o post! Mesmo não trabalhando na mesma área, valeu muito! Todos os dias me deparo com situações onde tenho que me adaptar, reorganizar tudo….mesmo já tendo tudo em mãos planejado! Se não nos adaptarmos nos dias de hoje estamos “mortos”…pessoas são pessoas…cada uma com a sua particularidade…cada um é de um jeito…então com cada um teremos que agir de uma forma.

  2. Excelente post, na hora de mensurar um projeto é primordial analisar o pior dos cenários, ou seja, verificar todos os impactos e contratempos, dependências e até mesmo situações incomuns. Não importa a fase do projeto, (analise, desenvolvimento, testes e homologação) a regra se aplica a todos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s